Um silêncio preencheu a sala depois das palavras de Peeta. Eu senti o olhar de todos em mim, mas minha atenção estava em Peeta. Meus olhos arregalados o observavam.

- O que...

Tentei começar uma frase, mas não conseguia pensar direito. Meu cérebro deu pane e só voltou a funcionar quando Peeta, Apertou meu braço, sorriu torto e disse:

- Amor, está tudo bem?

"NÃO, nada está bem! Você pirou na batatinha?" quis gritar. Outra vez, só consegui abrir e fechar a boca repetidamente.

- Katniss?

Peeta movimentou-se, ficando em minha frente e por ser vários centímetros mais alto do que eu, bloqueou minha vista do resto da sala. Estava prestes a perguntar se tudo aquilo era uma brincadeira de mal gosto. Quando aquele par de olhos azuis me encontrou. Pedindo, ou melhor, suplicando por ajuda.

Um bilhão de coisas passou em minha cabeça. Meu coração doeu, ao lembrar das últimas semanas, de como havia sofrido. Abaixei a cabeça, tentando espantar a insensatez. Foi quando eu vi que uma de suas mãos segurava a minha. Eu devia esse favor a ele, por tudo que o fiz passar. Então só tinha uma coisa a se fazer. Ainda segurando sua mão me endireitei para o lado, para que nossa plateia nos visse.

Com um sorriso, falso e nervoso, disse:

- Surpresa.

Explodiu a sala. Todos os meus amigos começaram a falar ao mesmo tempo. A mãe de Peeta veio me abraçar.

- Até que enfim. Já estava perdendo as esperanças.

- Agora eu tenho duas lindas noras - o Sorriso do Sr. Mellark era imenso - E um genro simpático. - Soltou uma gargalhada.

Clara, nos soltou e foi para perto do marido.

- Eles não formam um lindo casal, querido? - Seus olhos estavam marejados.

A culpa pesou lá dentro.

- Deixe-me conhecer minha nova neta. - Uma voz bondosa, mais firme chegou até mim.

Peeta me arrastou até a poltrona que onde a senhora estava, que eu não conhecia.

- Catarine Mellark, esta é Katniss Everdeen.

- Muito prazer, senhora Mellark.

Soltei um sorriso sincero. Vovó Mellark tinha um beleza, como o resto dos Mellarks

- Chame-me de vovó ou Catarine - retribuiu o sorriso. - Bom ver que meu neto finalmente achou uma moça bonita e educada para namorar.

Engoli em seco.

- Obrigada.

- Oi Katniss. Eu sou Peter Mellark - o garoto chegou perto e me estendeu a mão.

Durante uns segundos, esqueci os problemas frente a tanta beleza. A distância ele era bonito, mas de perto ele era espetacular.

Não como Peeta, é claro.

Peeta tinha o sorriso mais lindo que Panem, já viu. O bom garoto que toda mãe quer para genro. Quase como um cavalheiro antigo que agia honrando sempre suas promessas. Porém havia também os cabelos desgrenhados e seu sorriso sexy - o que infelizmente nunca havia sido dirigido a minha pessoa.

Já Peter tinha os cabelos alinhados e o sorriso calmo, seus olhos eram azuis e brilharam maliciosamente. Igual aqueles filmes, que o mauricinho vai se tornar mocinho, mas porém é o vilão. Tipo "Eu vou quebrar seu coração".

- Prazer - Sorri mais do que devia.

- Prazer em conhecê-la, Katniss.

Tive a impressão de que ele segurou minha mão, mais tempo do que o necessário.

- Cunhada. - Mad literalmente cantou cada sílaba. - Senta aqui, temos que conversar.

- Claro, Madge. Eu só preciso pegar um negócio no meu carro - Olhei para ela e depois voltei atenção ao meu "namorado" - Vem comigo Peeta?- forcei um sorriso.

Ele piscou, várias vezes, tentando disfarçar a surpresa.

- Claro.

Bom, ao menos eu havia adiado a inquisição, digo Madge, por um "tempo".

Caminhamos em silêncio até meu carro. Foi quando sabia estarmos longe demais da casa que finalmente explodir:

- Você ficou completamente maluco? Nós vamos voltar lá para dentro e você vai contar para todos que tudo isso foi um delírio da sua mente ou uma pegadinha ou uma brincadeira sem graça ou o fim do mundo, o que você quiser. Mas você vai entrar lá e dizer que nós não somos namorados - quando terminei estava ofegante, as bochechas coradas de raiva.

- Eu não posso fazer isso - sua resposta foi calma. E a minha boca abriu.