- Como não pode fazer isso? você acabou de fazer isso Me escorei no meu carro e esfreguei as mãos no rosto. Eu sentia como se tivesse corrido uma maratona - Peeta, o que foi que você fez?

-Cato e eu chegamos do treino hoje e eles estavam aqui. Vovó ficou insistindo para que meus irmãos chamassem seus pares. Então Clove e Gale chegaram, então você apareceu... e nós chegamos a tudo isso.

- Isso não justifica o que você acabou de fazer, Peeta - Eu quis gritar. Mais como alguém poderia ver, então achei melhor não.

- Eu sei que não. É só que... - ele voltou a olhar pra dentro da casa - Se lembra quando minha família e eu fomos para o Destrito quatro há alguns meses atrás?

- Sim. O enterro do seu avô - falei baixinho.

Eu tinha ideia de quando o velho Mellark significava para família. E também sabia que aquele era um assunto doloroso especialmente para Peeta.

- Meus avós viveram quase cinquenta anos de felicidades. Então, agora que meu avô se foi, ela acha que também pode estar próxima da

morte. - Senti a dor de suas palavras - Ela quer ter certeza de que todos os netos acharam alguém tão especial quanto meu avô era para ela. Quando Cato e Madge apresentaram Clove e Gale , a felicidade brilhou no rosto da vovó. Então ela olhou pra mim e perguntou onde estava minha namorada. Eu estava prestes a contar que não havia namorada nenhuma quando você tocou a campainha. Minha avó pareceu tão feliz por achar que você e eu formávamos um casal que eu simplesmente não pude contar a verdade. Eu sinto muitíssimo. - Agora era ele quem esfregava as mãos sobre o rosto.

- Você sabia que ela estaria aqui? Você sabia que ela viria aqui hoje?

- Não e não. Ela chegou de surpresa. E Madge não avisou ninguém que você vinha.

- Peeta, você sabe que isso é errado, não sabe? Você.... nós não podemos mentir desse jeito.

- Eu sei disso.

Para alguém que sabia das coisas, ele vinha agindo de maneira muito burra.

- Mas eu também sei que não podia magoar a minha avó. Viu no rosto dela quando você disse que não éramos namorados? Eu não podia deixá-la ainda mais triste.

- Você é um ótimo neto, Peeta. - Fiz carinho em seu braço - Mas nós precisamos falar a verdade. Como espera mentir para as pessoas que mais ama? - movimentei a cabeça, indicando a casa.

- Você está certa. - Respirou fundo - vamos voltar lá e eu vou desfazer todo esse mal entendido.

Ele sussurrou aquelas palavras e pareceu tão exausto, tão mais velho. Meu coração ou o que sobrava dele deu mais uma pontada dolorosa. Começou o caminho de volta para casa. Fiquei parada no lugar, travando uma acirrada guerra mental.

Ele tinha dado uns cinco passos quando a batalha finalmente teve um vencedor.

Falei um pouco mais alto do que o normal:

- Peeta!

Ela se virou e andou de volta, com uma expressão curiosa. Aparentemente nem tinha visto que eu não o acompanhava.

-Hipoteticamente, Se realmente" namorássemos" - Fiz aspas com as mãos - para a felicidade da sua avó, quando "terminaríamos"? - Aspas novamente.

Nem mesmo um sorriso apareceu em seus lábios, ele parecia estar cético quanto as minha palavras. Quase como se houvesse significado oculto por trás delas.

Senti-me um gênio do mal. Mesmo quando você não está planejando nada, os outros acreditam que você não dará um grande golpe,

- Terminaríamos umas duas semanas depois da partida dela para o distrito quatro. - Deu de ombros.

- Vamos dizer, hipoteticamente outra vez, que eu aceite isso. Nós só fingiremos para sua família?

- Você conhece Mad tão bem quanto eu. Realmente acredita que ela manteria a mais nova cunhada dela em segredo?

Engoli em seco. Madge anunciaria pra cidade toda se duvidasse. Droga!

- Katniss, Você não precisa fazer nada. Fui eu quem nos colocou nessa bagunça toda. Eu vou consertá-la. Foi uma ideia repentina e irracional.

- Quanto tempo ela vai ficar?

- Eu não peguei toda a conversa, mas acho que umas duas semanas.

Eu sabia que era uma decisão totalmente estúpida e que traria consequências incalculáveis, mas eu não podia machucá-lo. Afinal, o amor é isso, não? Colocar a felicidade do outro acima da sua, amar e respeitar na saúde e na doença do tipo...

Talvez Peeta não merecesse esse favor, mas ele também não merecia todos os anos que eu o persegui....

É isso!

Eu o compensaria. faria esse favor a ele e depois poderia deixar a culpa de ter atormentado a vida dele. Ficaríamos quites e então eu não teria tanta vergonha de encará-lo.

- Tudo bem. Eu participo.

- Participa de que? - Ele parecia um tanto quanto confuso.

- Eu participo dessa trama louca. Eu aceito ser sua namorada de mentirinha por um tempo.

Alguma coisa brilhou eu seus olhos, mas passou tão rápido que imaginei se não tinha visto algo que não existia. Sua expressão se suavizou graças ao alívio.

- Eu sei que é errado pedir isso para você e mais errado ainda aceitar que você tome parte nessa bagunça toda. Mas estou muito agradecido pelo que você está fazendo, Kat. E pelo que você está prestes a fazer.

- Não vai ser nada fácil, sabe? Como vão acreditar que somos um casal se você nem mesmo gosta de mim? - Dei de ombros, tentando parecer indiferente a um fato que me machucava tanto.

- O que?

- Katniss, Peeta, entrem! O Lanche da tarde está quase pronto. - Madge apareceu na porta.

- Vamos? - Tentei sorrir.

Ele pareceu resignado por um momento, e eu soube que era graças a meu último comentário. Então, forçou um sorriso e segurou minha mão.

- Vamos

Assim nós caminhamos direto para o começo de uma grande farsa.